Doença de Chagas: parceria vai produzir medicamento para crianças mais fácil de usar e mais seguro

[ Genebra (Suíça) e Recife (Brasil) – 21 de julho de 2008 ]
Acordo assinado entre a iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, sigla em inglês) e o Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (LAFEPE) disponibilizará internacionalmente e a preço de custo,a primeira formulação pediátrica do benzonidazol, o fármaco mais utilizado para o tratamento da Doença de Chagas
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Crianças infectadas pela doença de Chagas nos países endêmicos – os 21 países da América Central e do Sul – terão acesso, em breve, a um produto adaptado às suas necessidades. Fruto de uma nova parceria entre o Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco Governador Miguel Arraes (LAFEPE) e a DNDi, a formulação pediátrica do benzonidazol já estará disponível aos pacientes a partir do final de 2009. O medicamento será comercializado a preço de custo, sem fins lucrativos para as instituições envolvidas no seu desenvolvimento.

Apesar de o benzonidazol estar disponível desde a década de 70 nos países endêmicos de Chagas, não existe um produto que venha a atender às necessidades das crianças infectadas pela doença, com idades e pesos diferentes. Atualmente, as crianças com doença de Chagas são tratadas com frações do comprimido do benzonidazol usado em pacientes adultos. Depois de partidos, por vezes em até 12 partes, são administrados a crianças infectadas. Possíveis erros no fracionamento podem impactar na eficácia, na qualidade, na melhor adesão e na segurança da medicação.
“Esta parceria entre a DNDi e o LAFEPE é uma resposta à comunidade internacional que trabalha com Chagas e que definiu entre as atuais prioridades para o combate da doença, o desenvolvimento de uma formulação pediátrica do benzonidazol”, afirma Isabela Ribeiro, responsável pelo projeto da DNDi no Brasil. “O tratamento atual pode colocar em risco a segurança e a eficácia do tratamento da criança com Chagas”.

Com o acordo assinado entre as duas instituições, DNDi e LAFEPE, o laboratório pernambucano produzirá a formulação pediátrica do benzonidazol. A DNDi assistirá o LAFEPE no registro e na definição de estratégias de distribuição do medicamento nos países endêmicos, além de assessorar no processo de pré-qualificação do produto na Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). As atribuições e responsabilidades do LAFEPE vão desde a condução dos estudos de pré-formulação, desenvolvimento e validação de métodos, a compilação de documentos necessários para registro do produto, até a disponibilização de insumos, equipamentos e pessoal técnico qualificado.
“Estamos felizes em trabalhar com o apoio técnico e gerencial do DNDi. Este acordo disponibilizará o produto em quantidade suficiente para atender a demanda dos países endêmicos de Chagas,” afirmou o Presidente do LAFEPE, Luciano Vasquez.

“Este acordo é uma boa notícia para as crianças que sofrem da doença de Chagas, e é um grande passo contra esta doença”, disse Bernard Pécoul, Diretor Executivo da DNDi, “O nosso acordo faz parte de uma estratégia científica mais ampla para pesquisar e desenvolver novos e melhores medicamentos para a doença de Chagas.”

Chagas no mundo
A tripanossomíase americana, conhecida como doença de Chagas, é endêmica nos 21 países da América Central e do Sul – do México ao Chile – ameaçando 25% de toda a população que vive na região. Estima-se que atualmente 8 milhões de pessoas tenham o parasita no sangue e que 50 mil doentes morram no continente americano todos os anos por doença de Chagas. As pessoas mais afetadas pela doença são aquelas muito pobres, que vivem em casas de pau-a-pique, um habitat perfeito para os insetos transmissores do parasita (Trypanosoma cruzi), como o barbeiro. Quando pica, o inseto deposita fezes sobre a pele da pessoa, que ao coçar o local permite que o parasita atravesse a pele e penetre na corrente sanguínea. A doença de Chagas também pode ser transmitida por transfusão de sangue contaminado ou de mãe para filho, durante a gravidez. Atualmente, o Lafepe é o único laboratório do mundo que detém a tecnologia de produção do benzonidazol, repassada pela Roche ao governo brasileiro.

Sobre Lafepe

O segundo maior laboratório público do Brasil, o LAFEPE foi criado em 1966 para produzir medicamentos a baixo custo para as populações de menor poder aquisitivo. Com sede no Recife, capital do Estado de Pernambuco, tem faturamento médio anual de R$ 63 milhões, em torno de US$ 21 milhões, e desenvolve, produz e comercializa medicamentos destinados às necessidades das políticas de saúde pública. O Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco foi o primeiro laboratório oficial no Brasil a produzir, em 1994, o antiretroviral Zidovudina (AZT). O LAFEPE investe na modernização de suas instalações, ao dotar de alta tecnologia seu parque industrial. Seu programa pioneiro de Farmácias Populares, instalado em áreas de comércio popular nas diversas regiões do Estado, serve de modelo para o Governo Federal e outros estados da federação. Para mais informação, consulte: www.lafepe.pe.gov.br

Sobre DNDi
A iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi) é uma parceria para desenvolvimento de produto (PDP) independente, sem fins lucrativos e trabalha na pesquisa e no desenvolvimento de novos e melhores tratamentos para doenças negligenciadas como a malária, a doença de Chagas, o calazar (leishmaniose visceral) e a doença do sono (Tripanossomíases Humana Africana). Com o objetivo de atender às necessidades dos pacientes destas doenças, DNDi foi criada em 2003 pelo Instituto Pasteur e Médicos Sem Fronteiras juntamente com quatro organizações públicas de pesquisa de doenças negligenciadas em países endêmicos. Em parceria com o setor industrial e os meios acadêmicos, DNDi tem o maior portfólio de P&D para doenças de parasitas cinetoplastidas e atualmente possui 2 projetos post-registros, 5 clínicos, e 4 preclínicos, em conjunto com uma variedade de projetos descoberta, conforme aos esforços concertados. Em 2007 e 2008, DNDi lançou em parcerias com sanofi-aventis e com Farmanguinhos/Fiocruz, respectivamente, seus dois primeiros produtos, uma combinação em dose fixa do antimalárico ASAQ e ASMQ. Para mais informação, consulte: www.dndi.org ou www.dndial.org

Contatos para entrevistas

Lafepe:
Álvaro Claudino
(81) 9156-9670
alvaroclaudino@hotmail.com

DNDi:
Flávio Guilherme Pontes –DNDi Rio de Janeiro, Brasil, (21) 8123-4133; (21) 8298-6294, www.dndi.org.br
flavioguilhermepontes@gmail.com

Sadia Kaenzig, DNDi Geneva, +41 (0)22 906 92 30 or +41 (0)79 819 99 71
skaenzig@dndi.org

Ann-Marie Sevcsik, DNDi Geneva, +41 (0)79 814 9147
amsevcsik@dndi.org

Michelle French, DNDi North America, (212) 298-3743 or (646) 552-4600
mfrench@dndi.org