DNDi lança Programa de Desenvolvimento de Novos Medicamentos para Atender às necessidades de Tratamento de Crianças com HIV/Aids

[Genebra / Roma – 18 julho 2011]
Hoje, no 6ª Conferência da Sociedade International de Aids (IAS) sobre patogênese, tratamento e prevenção do HIV, a iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi) anunciou o lançamento de um programa de desenvolvimento de medicamentos novos para atender à urgente necessidade de tratamento em crianças com HIV/Aids.
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Uma vez que a transmissão do HIV em bebês foi quase eliminada em países ricos devido ao sucesso da prevenção vertical (de mãe para filho), é pequeno o incentivo de mercado para que as empresas farmacêuticas desenvolvam antirretrovirais (ARVs) adaptados para crianças. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda terapia anti-retroviral para todas as crianças HIV-positivas menores de dois anos de idade, mas a segurança e a dosagem correta dos principais ARVs não foram estabelecidas para bebês, e não existem formulações adaptadas às necessidades das crianças. As formulações pediátricas de ARVs disponíveis hoje são desagradáveis para as crianças, impraticáveis para os cuidadores devido a várias preparações líquidas que têm de ser ajustadas de acordo com peso, e têm interações indesejáveis com os medicamentos usados para tratar a tuberculose (TB).

“Há milhões de crianças vivendo com HIV/Aids em países de baixa e média renda, mas as suas necessidades estão fora da agenda de pesquisa e desenvolvimento do HIV, e isso é devido em grande parte por se tratar de pessoas pobres, esquecidas, que não representam um mercado lucrativo”, disse o Dr. Bernard Pécoul, Diretor Executivo da DNDi. “Trabalhando com parceiros, esperamos ajudar a preencher essa lacuna terrível e oferecer melhores opções de tratamento para crianças com HIV/Aids.”

Com base em seu histórico no fornecimento de novos medicamentos para doenças negligenciadas, a DNDi, uma organização de P&D sem fins lucrativos, focada no desenvolvimento de novos medicamentos para a doença do sono, a leishmaniose, doença de Chagas e malária foi convocada, no ano passado, pela organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF), pela UNITAID, e outras organizações, a aplicar sua experiência para o desenvolvimento de formulações pediátricas contra o HIV/Aids.

“Nossas equipes médicas no campo, há anos enfrentam dificuldades para tratar crianças com HIV devido à falta de ferramentas adequadas de tratamento”, diz o Dr. Unni Karunakara, Presidente Internacional da MSF. “Faremos todo o possível para acelerar o desenvolvimento e o acesso de formulações adaptadas às crianças com HIV/Aids, e esperamos apresentar melhores medicamentos e a preços acessíveis para o tratar bebês e crianças soropositivas nos locais onde trabalhamos.”

Depois de uma avaliação profunda das necessidades atuais e de consultas com especialistas – incluindo aqueles em países endêmicos, como a África do Sul, Uganda, Costa do Marfim, e Tailândia, bem como nas principais instituições públicas de pesquisa, incluindo o National Institutes of Health dos EUA, UK Medical Research Council, da Grã Bretanha e a Agence Nationale de Recherche sur le Sida na França – foram desenvolvidas as especificações ideais para melhorar os tratamentos pediátricos. Há consenso em torno da necessidade de desenvolver um regime de primeira linha com inibidor de protease para crianças menores de três anos de idade, independentemente de exposição prévia a antirretrovirais, e esta será a primeira prioridade da DNDi.

Idealmente, esta nova terapia de primeira linha do HIV pediátrico precisa ser fácil de administrar e melhor tolerada pelas crianças do que os medicamentos atuais, bem como ter estabilidade em climas tropicais, ser facilmente dispersível, e com no máximo uma única tomada no dia. Deve também ter risco mínimo de desenvolvimento de resistência e ser adequado para bebês e crianças pequenas, com requisitos mínimos para ajustes de peso. Finalmente, qualquer nova formulação deve ser compatível com medicamentos contra a tuberculose, e, sobretudo, acessível.

“O HIV pediátrico tem sido, de fato, uma área negligenciada para a inovação no desenvolvimento de medicamentos”, disse o Dr. Gottfried Hirnschall, Diretor do Departamento da OMS de HIV/AIDS. “O acesso das crianças ao tratamento do HIV tem sido baixa, com apenas 28% das crianças que necessitam recebendo o tratamento, no final de 2009. A OMS aprecia o foco DNDi sobre novos tratamentos pediátricos para o HIV, e estamos ansiosos para trabalhar juntos afim de oferecer mais e melhores medicamentos para as crianças necessitadas.”

O Programa de HIV Pediátrico da DNDi será liderado pelo recém-nomeado Marc Lallemant, MD, ex-chefe dos programas de Prevenção e Tratamento do HIV (PHPT), um consórcio de pesquisa clínica da Chiang Mai University, Harvard School of Public Health, e IRD (Institut de Recherche pour le Développement), com sede em Chiang Mai, Tailândia. Ele vem estudando e consuzindo pesquisas sobre o HIV em mulheres grávidas e crianças, e sobre a transmissão do HIV de mãe para filho desde 1985. Dr. Lallemant conduziu dois grandes ensaios clínicos sobre a transmissão vertical do HIV, que serviram de base para as recomendações da OMS para a prevenção da transmissão materno-infantil em países de recursos limitados. Ele também está envolvido na pesquisa do HIV pediátrico com a PENTA – rede europeia de pesquisa clínica.

“Crianças que vivem com HIV/Aids são uma população negligenciada e a aids pediátrica pode ser considerada uma doença negligenciada”, diz o Dr. Lallemant. “Enquanto temos que fazer todos os esforços para eliminar novas infecções pelo HIV entre as crianças através do acesso a ferramentas de prevenção da transmissão do HIV de mãe para filho e ao tratamento antirretroviral, não podemos negligenciar as milhões de crianças infectadas e/ou recém-infectadas e que necessitam urgentemente de tratamento.”

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Sobre HIV/Aids pediátrico

Segundo a OMS, existem atualmente mais de 2,5 milhões de crianças menores de 15 anos vivendo com o HIV. Desses,  2,3 milhões (92%) estão na África Subsaariana. A cada dia, mais de 1.000 crianças são infectadas pelo HIV, e 700 morrem de complicações relacionadas à aids. Segundo a UNAIDS, apenas 355 mil crianças com HIV/Aids têm acesso à terapia anti-retroviral, o que representa apenas 28% das que têm indicação clínica para tomar antirretrovirais. Sem tratamento, um terço das crianças nascidas com HIV vai morrer antes do seu primeiro aniversário, 50% antes dos dois anos, e 80% vai morrer antes de completar cinco anos de idade.

Sobre a iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi)

A DNDi é uma parceria de desenvolvimento do produto (PDP), sem fins lucrativos, que trabalha para pesquisar e desenvolver novos tratamentos para as doenças negligenciadas, especialmente a tripanossomíase humana africana (doença do sono), leishmaniose, doença de Chagas, malária, HIV pediátrico e as doenças relacionadas à infecções por helmintos. A DNDi foi criada em 2003 pela Fundação Oswaldo Cruz do Brasil, Conselho Indiano de Pesquisa Médica, Instituto Queniano de Pesquisa Médica, Ministério da Saúde da Malásia, Instituto Pasteur e Médicos Sem Fronteiras (MSF). O programa OMS/TDR age como um observador permanente. Desde 2007, a DNDi já disponibilizou quatro produtos: duas combinações em dose fixa contra a malária (ASAQ desenvolvido com a Sanofi e ASMQ desenvolvido em pareria com a Fiocruz), NECT (terapia de combinação de nifurtimox-eflornitina para a doença do sono), e SSG & PM, uma terapia de combinação para o tratamento da leishmaniose visceral na África. Para mais informações, www.dndi.org.

Contatos

Oliver Yun, Gerente de Comunicação da DNDi América do Norte (presente na conferência IAS em Roma) –  +1-646-616-8681 /  +1-646-266-5216 – oyun@dndi.org

Violaine Dallenbach, Gerente de Comunicações da sede da DNDi em Genebra
+41 22 906 92 47 / +41 79 424 14 74 –  vdallenbach@dndi.org

Flavio Guilherme Pontes, Gerente de Comunicação da DNDi América Latina no Brasil
+55 21 2215-2941 / +55 21 8123-4133 – fpontes@dndi.org